Levantamento divulgado nesta terça-feira aponta petista rejeitado por 47,6% dos eleitores, à frente de Flávio Bolsonaro, com corrida ainda dentro da margem de erro a três meses do primeiro turno.
A menos de três meses da eleição presidencial de 2026, uma nova pesquisa Futura/Apex trouxe um retrato que mistura sinais contraditórios para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Divulgado nesta terça-feira, 14 de julho, o levantamento mostra o petista aprovado por 46% dos eleitores e desaprovado por 49,7%, mas também revela que ele lidera, numericamente, o ranking de rejeição entre os pré-candidatos ao Planalto. Isso levanta uma dúvida legítima para quem acompanha a corrida eleitoral: como um presidente pode estar tecnicamente empatado na aprovação e, ao mesmo tempo, aparecer como o nome mais rejeitado da disputa?
A resposta passa por entender que aprovação de governo e rejeição de candidatura são medidas diferentes, embora relacionadas. O instituto Futura, em parceria com a Apex Partners, ouviu 2 mil eleitores por telefone entre os dias 7 e 11 de julho, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-07294/2026. Compreender os detalhes por trás desses números ajuda a explicar por que a disputa presidencial de 2026 segue tão indefinida a três meses do primeiro turno.
O que os números dizem sobre aprovação e rejeição
A pesquisa Futura/Apex trouxe dois recortes que, à primeira vista, parecem se contradizer. No quesito aprovação de governo, Lula aparece com 46% de avaliações positivas contra 49,7% de negativas, uma diferença de 3,7 pontos que está dentro da margem de erro do levantamento. Já no ranking de rejeição, que mede a disposição do eleitor em votar ou não em determinado nome para presidente, o petista lidera com 47,6%, à frente de Flávio Bolsonaro, que registra 45,4%, e de Michelle Bolsonaro, com 32,2%.
Essa diferença entre os dois indicadores faz sentido quando se observa que a rejeição eleitoral tende a ser mais rígida do que a avaliação de governo, já que reúne tanto quem desaprova a gestão atual quanto eleitores que, por razões ideológicas ou históricas, jamais votariam no petista, independentemente do desempenho do governo. O levantamento também mostrou variações regionais relevantes na aprovação de Lula: o presidente é mais bem avaliado no Nordeste, com 55,5% de aprovação, e no Norte, com 50,3%, enquanto enfrenta rejeição mais forte no Sul, onde a desaprovação chega a 62,1%, no Centro-Oeste, com 56,6%, e no Sudeste, com 52,1%. Entre faixas etárias, a aprovação é maior entre pessoas de 45 a 59 anos, com 53,2%, e entre os que têm mais de 60 anos, com 51%.
Outro dado que chama atenção é a diferença de percepção entre homens e mulheres. Enquanto a aprovação do presidente é maior entre as mulheres, com 49,4%, os homens desaprovam mais sua gestão, com 54,4% de rejeição à atuação do governo. Esse recorte de gênero tem se mantido relativamente estável ao longo do ano nas pesquisas do instituto e ajuda a explicar parte da estratégia de campanha adotada pelos principais partidos que disputam o Planalto em 2026.
Por que a corrida presidencial segue tão apertada
O cenário retratado pela Futura/Apex nesta rodada de julho não surgiu do nada. Ao longo de 2026, a série histórica do instituto mostrou oscilações importantes na avaliação do governo Lula. Em fevereiro, a diferença entre aprovação e desaprovação chegava a 14,7 pontos percentuais negativos para o presidente. Em junho, pela primeira vez no ano, a aprovação havia superado numericamente a desaprovação, com 49,6% contra 47,7%, ainda que dentro da margem de erro. A pesquisa mais recente, de julho, mostra uma nova inversão, com a desaprovação voltando a superar a aprovação, o que reforça o caráter de empate técnico que tem marcado o debate político brasileiro nos últimos meses.
Esse vaivém nos números tem explicação em fatores conjunturais que se acumulam ao longo do primeiro semestre, da política econômica à disputa em torno da regulação de plataformas digitais, passando pelas tensões comerciais com os Estados Unidos. Cada um desses temas movimenta a opinião pública de forma distinta entre diferentes públicos, o que explica por que a aprovação de Lula varia tanto conforme a região e o perfil socioeconômico do entrevistado. Para especialistas em opinião pública, esse tipo de oscilação é esperado em um ano eleitoral, já que o eleitor tende a reagir de forma mais intensa a notícias de curto prazo, o que faz os índices de aprovação e desaprovação flutuarem de mês a mês, sem necessariamente indicar uma tendência consolidada.
Do outro lado do espectro, o crescimento de Flávio Bolsonaro como principal nome de oposição também ajuda a explicar por que a disputa segue truncada. Embora sua rejeição seja ligeiramente menor que a de Lula, a diferença de menos de três pontos percentuais está dentro da margem de erro da pesquisa, o que торна a corrida estatisticamente indefinida entre os dois nomes mais competitivos até aqui.
Falta pouco menos de três meses para o primeiro turno das eleições de 2026, e os números da Futura/Apex confirmam que nenhum dos principais candidatos conseguiu, até agora, construir uma vantagem consistente e fora da margem de erro. Esse equilíbrio deve manter a disputa presidencial como o principal assunto do noticiário político nas próximas semanas, especialmente à medida que novos institutos divulguem suas próprias pesquisas e o debate eleitoral ganhe força com a proximidade das convenções partidárias. Para o eleitor, a mensagem que fica é clara: tanto a aprovação do governo quanto a preferência de voto para 2026 seguem em aberto, e qualquer decisão sobre o resultado da eleição ainda depende de fatores que só devem se consolidar nos próximos meses de campanha.
Fontes: Poder360, Jornal de Brasília
