Segundo o Dr. Christian Zini Amorim, o foro por prerrogativa de função, ou foro privilegiado, é um tema amplamente debatido no cenário jurídico brasileiro, especialmente diante dos recorrentes escândalos de corrupção envolvendo políticos. A relevância da discussão sobre sua aplicação e extensão persiste. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) revisou sua posição, ampliando o alcance do foro especial para autoridades, mesmo após a perda do cargo.
Neste artigo, vamos analisar as razões que levaram o STF a essa mudança e o impacto que ela pode ter na justiça brasileira.
Por que o STF decidiu ampliar o foro por prerrogativa de função?
Em 2024, o STF ampliou o foro por prerrogativa de função para evitar que autoridades escapem de processos por questões técnicas, como a perda do cargo. A mudança foi motivada pela preocupação com a impunidade de quem comete crimes durante o mandato, mas poderia se beneficiar da falta de competência dos tribunais superiores após deixar o cargo. Assim, crimes cometidos no exercício da função não seriam julgados enquanto o autor ainda estivesse no cargo.

O advogado especialista, Christian Zini Amorim, explica que esse entendimento visa evitar que autoridades que cometem crimes durante o exercício do cargo se beneficiem de uma lacuna jurídica e consigam adiar ou até mesmo escapar do julgamento. Portanto, a decisão busca garantir que as investigações e os processos judiciais sobre crimes praticados por esses indivíduos sejam conduzidos de forma justa, sem que o afastamento do cargo seja usado como um artifício para livrar-se da responsabilidade penal.
Como a mudança impacta a relação entre o Judiciário e as autoridades?
O STF ampliou o foro privilegiado para reforçar a independência do Judiciário em relação às autoridades políticas e de alta função pública. Essa medida visa assegurar que processos contra essas autoridades sejam tratados com seriedade, independentemente do cargo ocupado. Além disso, o STF justificou que manter o foro após a perda do cargo garante a continuidade do processo judicial, sem interrupções por mudanças de status.
Essa mudança pode ser vista como uma tentativa de fortalecer a confiança do público nas instituições judiciais e políticas. Com o fortalecimento do foro por prerrogativa de função, o STF procura enviar uma mensagem clara de que o sistema de justiça não permitirá que aqueles com poder e autoridade escapem da punição, mantendo a integridade dos processos em andamento, conforme destaca Christian Zini Amorim.
A ampliação do foro representa um retrocesso para o combate à impunidade?
A decisão do STF, embora voltada ao combate da impunidade, gerou críticas. Muitos argumentam que a ampliação do foro privilegiado pode criar uma proteção excessiva para autoridades, dificultando seu julgamento em tribunais comuns. Segundo Christian Zini Amorim, esse fator poderia gerar a percepção de uma “casta” intocável, beneficiada pela posição que ocupa.
A ampliação levanta questões sobre a efetividade do Judiciário e a igualdade na aplicação da Justiça, independentemente do cargo ocupado. Críticos temem que a decisão do STF politize ainda mais os processos, tornando a Justiça menos imparcial. No entanto, a principal dúvida é se a mudança representa um avanço para a transparência e justiça ou apenas reforça privilégios para os poderosos, como pontua o advogado especialista.
Desafios e impactos no combate à impunidade
A decisão do STF de ampliar o foro por prerrogativa de função visa evitar que autoridades escapem de julgamento por questões técnicas. Embora busque garantir transparência e continuidade nos processos, também gera preocupações sobre a criação de privilégios e a politização do Judiciário. Por isso, o Dr. Christian Zini Amorim frisa que o desafio é equilibrar a proteção das funções públicas com o combate à impunidade, e o impacto dessa medida será avaliado com o tempo.
Autor: Kirill Dmitriev
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital