O CTO Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira acompanha uma questão recorrente entre empresas que ampliam seus investimentos em tecnologia: quando vale a pena desenvolver uma solução internamente e quando é mais eficiente contratar uma ferramenta já disponível no mercado? A escolha entre build e buy deixou de ser uma decisão exclusivamente técnica. Em ambientes digitais, ela envolve velocidade de implementação, custos, capacidade das equipes, integração com sistemas existentes e, principalmente, o impacto que determinada tecnologia pode produzir sobre a estratégia do negócio.
A decisão ganha complexidade quando a empresa possui operações em grande escala ou precisa sustentar diferentes canais digitais simultaneamente. Uma solução desenvolvida internamente pode oferecer maior controle e adaptação às necessidades específicas, enquanto uma tecnologia adquirida de terceiros pode reduzir o tempo necessário para colocar determinada capacidade em funcionamento. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira, cuja trajetória inclui posições de liderança em grandes operações de varejo e tecnologia, frisa que escolhas desse tipo precisam ser avaliadas dentro do contexto arquitetural e operacional de cada organização, evitando tratar build e buy como alternativas universais.
O que deve pesar na escolha entre build e buy?
O primeiro aspecto é entender se a tecnologia analisada representa uma capacidade estratégica para a empresa. Quando determinado recurso está diretamente relacionado a um diferencial competitivo, desenvolvê-lo internamente pode permitir maior domínio sobre arquitetura, dados, evolução e integração. Em contrapartida, construir uma solução exige profissionais especializados, tempo de desenvolvimento, infraestrutura e uma estrutura permanente de manutenção. O investimento não termina quando o sistema entra em funcionamento.
A alternativa de adquirir uma solução pronta pode fazer sentido quando a funcionalidade não diferencia diretamente a empresa ou quando existe uma oferta madura capaz de atender aos requisitos necessários. Nesse cenário, a organização pode direcionar seus recursos internos para atividades consideradas mais estratégicas. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira esclarece que a análise precisa considerar o custo total da decisão, incluindo implantação, manutenção, integração e evolução, e não apenas o valor inicial de aquisição ou desenvolvimento.
Velocidade pode ser um fator decisivo?
Em mercados digitais, o tempo necessário para transformar uma necessidade em uma capacidade operacional pode influenciar a competitividade. Desenvolver uma ferramenta internamente oferece liberdade para definir funcionalidades e arquitetura, mas normalmente exige ciclos de planejamento, desenvolvimento, testes e implementação. Dependendo da complexidade, esse percurso pode consumir recursos que a empresa precisa direcionar para outras frentes de transformação digital.

Soluções adquiridas, por outro lado, podem acelerar determinadas implementações, principalmente quando já possuem infraestrutura consolidada e integrações compatíveis com o ambiente corporativo. Isso não significa que a contratação seja automaticamente mais rápida, pois processos de adequação, segurança e integração também podem exigir trabalho significativo. Ao analisar a questão, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira ressalta que velocidade e controle precisam ser observados em conjunto, especialmente quando a tecnologia escolhida fará parte de processos críticos ou de plataformas utilizadas em larga escala.
Quando desenvolver internamente pode fazer mais sentido?
O desenvolvimento próprio tende a ganhar relevância quando a solução precisa responder a características muito específicas da operação ou quando o domínio tecnológico representa um ativo estratégico. Plataformas digitais, mecanismos proprietários de precificação ou aplicações baseadas em machine learning podem exigir níveis de personalização difíceis de encontrar em produtos prontos. Nesses casos, a equipe interna consegue participar diretamente das decisões relacionadas ao produto e à arquitetura.
Outro fator está na capacidade de manter o conhecimento dentro da organização. Construir uma solução significa acumular domínio sobre seu funcionamento e sobre as escolhas que sustentam sua evolução. Porém, esse benefício depende da existência de equipes qualificadas e de processos capazes de preservar esse conhecimento ao longo do tempo. A experiência de Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira em operações que envolveram construção de plataformas digitais e soluções de tecnologia ajuda a elucidar por que o desenvolvimento próprio pode ser vantajoso, mas também exige maturidade técnica para ser sustentável.
Buy significa abrir mão do controle tecnológico?
A contratação de uma solução externa não elimina a necessidade de governança. Pelo contrário, quanto maior a dependência de um fornecedor, mais importante se torna avaliar contratos, segurança, integração, disponibilidade dos serviços e possibilidades de migração. A empresa também precisa compreender quais dados serão processados, onde estarão armazenados e de que maneira a solução poderá acompanhar mudanças futuras na operação.
Por isso, uma estratégia de build vs. buy pode combinar diferentes abordagens. Uma organização pode adquirir componentes padronizados e desenvolver internamente as camadas que representam diferenciação para o negócio. Essa composição permite aproveitar tecnologias disponíveis sem transformar toda a arquitetura em uma dependência externa. Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira aponta que a discussão mais produtiva não está em escolher um lado de forma definitiva, mas em identificar quais capacidades devem permanecer sob domínio da empresa e quais podem ser obtidas de parceiros especializados.
A maturidade tecnológica aparece justamente na capacidade de fazer essa distinção com critérios claros. Custos, velocidade, segurança, escalabilidade, conhecimento interno e relevância estratégica precisam participar da análise antes de qualquer decisão. Em ambientes nos quais cloud, inteligência artificial e plataformas digitais avançam simultaneamente, o equilíbrio entre construir e adquirir tecnologias pode determinar não apenas a eficiência de uma implementação, mas também a capacidade de uma organização continuar evoluindo sua arquitetura ao longo do tempo.
